Novembro Azul

Com estimativa de 61,2 mil novos casos de câncer de próstata, doença ainda é tabu

Thays Ceretta

O novembro muda de cor para tratar da saúde do homem. Assim como o Outubro Rosa, que chama a atenção para a prevenção ao câncer de mama, neste mês é a vez de os homens entrarem com tudo na prevenção de um tipo de doença. O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil. E é de olho, principalmente, em quem não se cuida que existe a campanha Novembro Azul. Porém, mesmo com as ações de conscientização, ainda existe o tabu em falar sobre o assunto abertamente. 

Para o psicólogo André Assunção, isso ocorre em função da cultura patriarcal, em que falar de doença é algo difícil e delicado.

– Então, admitir que o homem está doente é uma fragilidade, mas acredito que, gradualmente, está mudando essa cultura. Infelizmente, ainda tem gente que quer perpetuar isso. Onde mexe na questão da "masculinidade", o sexo masculino prefere evitar falar sobre o assunto. Ainda existe a fantasia de perder a "potência sexual" em função dessa cultura machista. O próprio exame de toque ainda é um tabu, e muita gente deixa de fazer por ter a fantasia de que vai se diminuir como homem – explica.

O psicólogo acrescenta ainda que a sociedade, negando-se a falar sobre o assunto, principalmente os homens que já passaram por isso, deixa de ajudar outras pessoas. Segundo ele, quanto mais se fala a respeito, mais questões são esclarecidas.

 Ações de prevenção marcam o mês mundial de combate ao câncer de próstata 

O urologista Flávio Antônio Brum também compartilha dessa teoria e diz que há resistência dos homens em tratarem desse assunto. Para ele, é algo totalmente compreensível, afinal, o fator psicológico também influencia.

– As mulheres têm outro tipo de vida, elas se previnem mais. E é por isso que os homens também estão indo mais ao médico. A intenção da iniciativa é esclarecer fatores de risco e diminuir o preconceito. Cada caso varia de paciente para paciente, e somos obrigados a dizer o que é melhor fazer, inclusive não esconder que o homem pode perder a função erétil, dependendo da situação – ressalta Brum.

 Santa Maria, RS, Brasil, 07/11/2017.Novembro Azul chama a atenção dos homens para o diagnóstico precoce do câncer de próstata.Na foto: Dr. Flavio Antonio Brum, Urologista.
A recomendação do urologista Flávio Brum é que os homens que tenham casos na família procurem um médico aos 40 anos Foto: Charles Guerra / New Co

Somente neste ano, serão 61,2 mil novos casos

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é que, em 2017, surjam cerca de 61,2 mil novos casos de câncer de próstata diagnosticados no país. Antes uma doença de idosos, hoje esse tumor maligno atinge homens cada vez mais jovens. Como qualquer câncer, quando detectado no início, a chance de cura é maior. Mas, quando ele se espalha, o estrago costuma ser irreversível. 

Muitos homens ainda têm dúvidas sobre qual exame é mais eficiente para detectar a doença, se o de sangue, que mede os níveis de PSA (Antígeno Prostático Específico), ou o exame físico, de toque retal (este é feito sempre que o paciente aceitar). Quem responde é a estatística. Se o paciente decide fazer apenas um desses exames, a possibilidade de falha no diagnóstico é de 20% no PSA e de 40% no toque. Agora, quando os dois exames são feitos ao mesmo tempo, o índice de falhas cai para 8%.

– Em geral, o indicado é que os homens procurem o médico a partir dos 40 anos de idade se tiver algum histórico familiar, se não tiver, aos 50. O prognóstico e a cura estão diretamente ligados aos resultados achados  do PSA, da biópsia (números de fragmentos com tumor e porcentagem deste ) e em se fazendo tratamento cirúrgico, os mais utilizados para análise, são: tamanho  da lesão e presença de invasão local, do grau de agressividade do tumor – pondera o urologista.

Beber água vai além de hidratar o corpo

Brum, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e também integrante da Associação Americana de Urologia, explica ainda que, antigamente, dizia-se que tinha que fazer exame de próstata. Hoje, não, já que é possível saber, pelo PSA, quem deve ser rastreado, quando fazer biópsias, radioterapia e cirurgias.  A retirada não é recomendada em todos os casos. Se a pessoa tem 80 anos, uma biópsia pode causar complicações sérias, como infecções. O cuidado do urologista intensifica-se com as pessoas com predisposição, as que têm histórico familiar da doença, marcador de PSA e, até, de certas etnias, como a negra. Mas tudo é discutido, nada é imposto.

– Há avanços principalmente no diagnóstico mais precoce e também na redução de biópsias com uso de novos marcadores biológicos, provenientes do PSA usados em pacientes que já tenham realizado biópsia. Quando for necessário, novamente, o uso de ressonância magnética, está também interligada com a ultrassonografia, identificando áreas da próstata com maior possibilidade de se encontrar  tumor, além do surgimento de novas medicações para doenças avançadas, de uso via oral – avalia Flávio Brum.

A doença, que começa de forma silenciosa, afeta mais da metade dos homens acima de 50 anos de idade, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Para prevenir-se, a orientação é a mesma dada em relação aos outros tipos de câncer: os cuidados devem começar cedo e não se deve esperar um sinal de que algo está errado para procurar um médico. Dados da SBU apontam que 20% dos pacientes são diagnosticados em estágio avançado da doença, o que faz com que a taxa de mortalidade chegue a 25% dos pacientes.

Consequências

O câncer de próstata traz consequências para o homem, prejudicando a qualidade de vida. Podendo ter incontinência urinária e atingir a infertilidade, impedindo-o de ter filhos. Na cirurgia para remover o tumor, é retirada toda a próstata e as vesículas seminais. A produção do líquido seminal é afetada. O homem pode ficar infértil. A quimioterapia e a radioterapia atacam as células que produzem os espermatozoides, e a função erétil se perde lentamente.


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